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 ARTIGO DO MÊS
  

Estudo traz tendências para salários e vagas

Os colaboradores de um quarto das empresas privadas de capital fechado (PHBs – privately held businesses) do mundo podem esperar um mau ano. O estudo International Business Report (IBR), da Grant Thornton International, representada no Brasil pela Terco Grant Thornton, mostra que 21% das empresas não darão aumento salarial a seus empregados em 2009, e, pior, 3% delas querem reduzir os salários.

Das 7.200 empresas de 36 países ouvidas na pesquisa, apenas 10% mostraram-se dispostas a dar aumentos superiores à inflação, enquanto 54% vão repor apenas este índice. Em relação ao aumento de vagas, as tendências também não são animadoras: 50% das empresas pretendem manter o mesmo quadro de profissionais e 27% querem cortar postos de trabalho. Mas 23% das empresas devem aumentar seus quadros.

As previsões mais pessimistas são dos países da Ásia, onde 29% das empresas não pretendem aumentar os salários - em Taiwan, por exemplo, 72% dos empresários consultados responderam que não darão reajustes salariais este ano. Os outros 10% darão aumento de acordo com a inflação ou um pouco mais. Pelo menos 44% das empresas pesquisadas na região pretendem manter os postos de trabalho, mas 24% querem reduzir o número de profissionais.

Os empresários dos países nórdicos serão os mais generosos, pois 82% deles responderam que pretendem dar aumento igual ou superior à inflação – a média global para esta pergunta foi de 64%. A Dinamarca é a campeã de otimismo, com 91% das respostas positivas, seguida da Finlândia (89%) e Suécia (74%). No entanto, o número de vagas não vai aumentar para 46% dos entrevistados. Para 38%, é possível que as vagas sejam diminuídas ao longo do ano.

Alex MacBeath, líder global da Grant Thornton International para PHBs, explica esse otimismo dos países nórdicos. “Em contraste com Ásia, o desemprego na região nórdica foi baixo nos últimos anos e houve falta de mão-de-obra”, diz. “Estas empresas não querem perder seus colaboradores, que já estão treinados, e por isso oferecem bons incentivos, pois substituí-los pode sair mais caro, além de ser difícil encontrar pessoas capacitadas.”

No Brasil, onde foram ouvidas 150 empresas, sendo cem de São Paulo, 25 do Rio de Janeiro e 25 de Salvador, 61% dos empresários disseram que vão aumentar o salário de acordo com a inflação, 20% pretendem dar reajustes maiores e 12% não vão dar aumentos. Além disso, 2% querem reduzir os salários.

“O número de empresas brasileiras que vai aumentar os salários é alto porque as leis trabalhistas garantem essa reposição. As empresas que não darão aumento algum terão que negociar benefícios, sociais ou econômicos, com os sindicatos de cada categoria profissional”, explica Wanderlei Ferreira, sócio-coordenador da divisão de tributos da Terco Grant Thornton.

Para MacBeath, talvez o mais preocupante para os assalariados de todo o mundo seja que mais da metade das empresas (54%) pretende aumentar salários somente na linha da inflação. “Como as taxas de inflação estão caindo em todo o mundo, os aumentos salariais baseados apenas neste índice não trarão ganhos.”

Surpreendentemente, o emprego real cresceu 0,5%, em média, em 2008 entre as 7.200 empresas ouvidas, embora este aumento seja mínimo se comparado ao crescimento de 4% registrado em 2007. Para MacBeath, “com a atual situação econômica mundial, o desemprego já é realidade em muitos locais e, por isso, não vemos chances de crescimento do emprego em 2009.”

Isto fica claro na pesquisa. Quando questionados sobre as expectativas de emprego para o próximo ano, a maioria dos empresários diz que espera diminuir e não aumentar suas equipes, sendo que a média global é de -4% (que é a média entre as respostas positivas e negativas), quando em 2008 esta média foi de +33%. As empresas mais otimistas estão no Vietnã (+60%), em Botsuana (+49%) e na Armênia (+35%). Entretanto, há países bem pessimistas, como o Chile (-33%), Hong Kong (-35%) e Espanha (-42%). Nesta pergunta, o índice do Brasil foi de +20%.

Fonte : Canal Executivo